Bom, já falamos dos dramas infantis e de como eles influenciaram nosso dramalhão de cada dia. Agora vamos à adolescência, época em que começamos a ter novas experiências, que nos despertaram também novos dramas. Não apenas novos, mas diferentes, hormonais, sentimentais. Em essência: dramas sexuais.
Emoção, furor da juventude e sangue mexicano. Essa soma não poderia resultar em coisa simples. Ela começou a influenciar nossos pensamentos, nossas fantasias e nossos sonhos. Os mocinhos passaram a imaginar a coleguinha, a professorinha, a empregadinha nuas. Fantasiando tudo o que suas cabeças (as duas) permitiam.
Mas as mocinhas inocentes não queriam saber de serem personagens dessa fantasia. Elas estavam românticas, cheias de amor para dar, sonhando em encontrar o seu príncipe encantado, lindo, alto, educado, inteligente, charmoso, que estivesse as esperando ansiosamente em um cavalo branco na esquina de suas vidas. Simples assim.
E por que tudo isso? Por que todos esses pensamentos romanescos? Vejamos os fatos. Nesse período, o que marcava a era mexicana era a triologia das Marias: Mari Mar, Maria Mercedez e Maria do bairro, as três com praticamente o mesmo enredo, elenco e tendo a atriz-cantora-modelo-bailariana-mexicaníssima Thalia como protagonista de todos eles.
Linda, meiga e pura, ela era sempre a pobre menina que enfrenta má sorte durante toda sua existência. Tudo, absolutamente TUDO, pode e vai acontecer com ela. O mundo conspira contra, vilões querem prejudicá-la, cafajestes a assediam, invejosas tentam derrotá-las e seus avós, sua única família, são bonzinhos, mas muito doentes e ameaçam morrer a toda hora. Oh, injustiçada menina.
Mas, um belo dia, ela vai até um lugar tranquilo chorar e lá está ele: o galã da história, com um coração humilde de um pobre homem e o bolso cheio de um belo ricaço. Eles se vêem, os olhares se cruzam e, com um delicado gesto, ele limpa as lágrimas que escorrem pelo rosto da pobre e bela mulher. Em qualquer outro mundo ele iria embora e no máximo ficaria a pensar “que gostosa”. Mas não, estamos no mundo mexicano, então, assim que eles se tocam, o coração dispara, a alma vibra, sinos tocam e eles se apaixonam imediatamente.
Apesar de enfrentarem muitos obstáculos ainda durante toda a trama, com TUDO ainda dando errado, nos últimos minutos da novela todos os problemas desaparecem. O cafajeste vai preso, a invejosa vira faxineira suja e acabada (ou louca em manicômio, suja e acabada), os avós tomam o elixir da vida eterna e ela fica rica, mais linda ainda, com o homem perfeito lhe amando loucamente e, juntos, vivem felizes para sempre.
Lindo, certo e do jeito que tudo deveria ser, não é? Pois é, agora vai dizer para a mocinha que com ela não é exatamente isso que acontece, que suas brigas com os pais por que não deixam ela sair de carro não são o fim do mundo, que as amigas ficando com o menino que ela estava de olho não é a pior traição que um ser humano poderia sofrer e que sua vida não poderia ser pior.
E, se elas vivem num conto mexicano, como não esperarem pelo final já escrito? Assim, seguem as adolescentes contagiadas pela fantasia dos belos e dramáticos romances mexicanos, esperando seu amor eterno aparecer em um cavalo branco, salvá-la de todos seus problemas e lhe levar ao sublime mundo do amor.